Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Mate, um símbolo da América do Sul

Hola malta, como andam?

Recebi uma crítica do grande Daniel Paixão, o famoso da música, sobre o facto das pessoas que eu tenho conhecido aqui na Argentina aparecerem no blog sem que eu as apresente à malta. Foi por isso que hoje quando vinha para casa depois de mais um dia de trabalho percebi que no último post tinha cometido mais uma falha, esqueci-me de me reapresentar à malta. É mesmo verdade estimados leitores, aqui na Argentina toda a gente tem uma alcunha e como não podia deixar de ser quiseram arranjar uma para mim. Contei que em Portugal a malta me chama Xico, mas esse nome foi prontamente colocado de parte porque se assemelha à palavra chico de rapaz em castelhano e tornar-se-ia muito impessoal. Resolveram então atribuir-me o "sobrenome" Pancho, a forma como os Franciscos são tratados por estas bandas. E está feito malta...o meu cerebro já responde automaticamente. Ontem caminhava muito bem para o supermercado quando escutei um grande Pancho. Olhei para trás e era mesmo para mim...

Passando as apresentações, vamos então ao que interessa. Hoje apetece-me falar de algo que me tem fascinado e levado a agradecer muito ao Bolinhas por estar aqui. Tenho estudado muito este símbolo da América do Sul, um símbolo que é uma tradição que demonstra o espirito deste povo...o mate. Depois de ter tido umas grandes aulas com o grande colega Ariel penso que já estou em condições de vos contar algumas coisas. Apesar de ser uma infusão o mate não é uma bebida. O mate é um costume, ninguém bebe mate porque tem sede. O mate é o contrário da televisão, faz as pessoas conversarem quando estão acompanhadas e pensar quando estão sós. Quando alguém chega a casa de uma pessoa a primeira coisa que ouve é "Hola" e a segunda é "unos mates?". Isto passa-se em todas as casas. Na dos ricos e na dos pobres, entre velhos ou jovens, homens da luta ou porcos fascistas, no Verão ou Inverno, entre bravos ou fracos... A erva-mate é a única coisa que há sempre em todas as casas. Com crise, com inflação, com fome, com militares, com democracia, com qualquer doença... Há Sempre. E se um dia não há um vizinho tem e oferece, porque a erva não se nega a ninguém. O mate é nada mais nada menos que uma demonstração de valores. É solidariedade, é o respeito pelos tempos para falar e escutar. É companheirismo, hospitalidade e generosidade. É a atitude franca e leal de querer partilhar...

2 comentários:

matxinha disse...

Ah poeta!!! Os ares de mendoza andam a inspirar-te, estou a ver...ainda bem que no próximo fds vou aí fazer-te uma visita! Preciso de tranquilidade e inspiração!! Bjoka

Zé-dos-anzóis disse...

Já vi q prá bravaria estar a 100% só nos falta o mate. Q venha ele...
Lutaaaaaaa...